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Expedição Sabença - Etapa Estadual
Proposta cultural realizada com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, pela Fundação Catarinense de Cultura FCC, por meio do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura- Edição 2024.

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A Expedição Sabença é uma jornada de escuta, pesquisa e intercâmbio cultural, dedicada ao encontro com mulheres mestras, guardiãs de saberes, memórias e modos de viver presentes nos diferentes territórios de Santa Catarina. O projeto nasceu do desejo de reconhecer, registrar e compartilhar conhecimentos transmitidos pela oralidade, valorizando histórias de vida, experiências comunitárias e patrimônios culturais que seguem vivos através das pessoas.
Ao longo da Expedição, foram realizadas apresentações artísticas, rodas de conversa, intercâmbios entre Pontos de Cultura e entrevistas com mulheres com mais de 60 anos, reconhecidas em suas comunidades como referências de saber, cuidado, memória, espiritualidade, cultura e tradição.
Desenvolvida em parceria com Pontos de Cultura de diferentes regiões do estado, a Expedição Sabença promoveu encontros entre artistas, pesquisadores, agentes culturais, educadores e comunidades, fortalecendo redes de colaboração e valorizando a diversidade cultural catarinense.
Cia Contacausos - Pesquisa e Narração de Histórias; Ponto de Cultura Instituto Cultural Nossa Maloca - Chapecó/SC; Ponto de Cultura Associação Matakiterani - Lages/SC; Ponto de Cultura Instituto Caracol - Rodeio/SC; Ponto de Cultura Engenho do Sertão - Bombinhas/SC;
Lages/SC - Intercâmbio com Ponto de Cultura Matakiterani
Em Lages/SC, tivemos a alegria de realizar um intercâmbio com o Ponto de Cultura Associação Matakiterani e conhecer mais de perto a forma sensível, respeitosa e comprometida com que desenvolvem seu trabalho na Serra Catarinense. Através da articulação e do acolhimento do amigo e artista Adilson Grilo, fomos apresentados a caminhos, histórias e pessoas que são guardiãs de importantes heranças culturais e espirituais da serra. Para conhecer mais sobre o trabalho da Matakiterani: https://matakiterani.org/
Desde o início da Expedição Sabença, nós desejamos percorrer os caminhos e construir encontros pautados pela troca. Por isso, organizamos cada etapa da expedição de modo que nossa presença também pudesse contribuir com as comunidades que nos recebiam.
Realizamos então apresentações gratuitas e acessíveis dos espetáculos de pesquisa da Contacausos e abrimos rodas de conversa para dialogar sobre as histórias dos lugares, os saberes, as poéticas presentes no cotidiano das pessoas. E, ao mesmo tempo, pedimos licença para entrevistar e escutar mulheres reconhecidas em suas comunidades como referências de saber, cuidado, espiritualidade e tradição.
Neste sentido, a comunidade Lageana recebeu uma apresentação do espetáculo Foi Coisa de Saci e como ação de contrapartida social abrimos uma roda de conversa sobre escuta e oralidade com mais de 150 estudantes da EMEB Izidoro Marin. As atividades contaram com medidas de acessibilidade em Libras.
Nosso agradecimento ao Adilson Grilo, representante da Associação Matakiterani, a sua família, Dona Tê e Mãe Lela por integrarem, agora, o repertório afetivo e de memória que seguimos cultivando pelos caminhos da Sabença.
Ficha Técnica da etapa de Lages:
Pesquisa e registros em audiovisual: Josiane Geroldi e Cleverson Lara
Produção Executiva: Cleverson Lara
Produção Local Lages: Adilson Grilo - Matakiterani
Acessibilidade em Libras: Ana Luiza Silva Torres
Assessoria de Pesquisa: Adiles Savoldi
Edição de vídeos: Fabiane Badermaker
Designer: Daniel Zonta
Estandarte: Luiziana Pippi
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Galeria de fotos:

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Registros com as Mestras: Dona Tê e Mãe Lela

Dona Tê, 71 anos, tem uma trajetória de quase seis décadas dedicadas ao benzimento. Iniciou sua prática aos 13 anos, dando continuidade a um saber que também era exercido por seu pai. Hoje, Dona Tê compartilha a sabedoria ancestral do benzimento com a neta, e tivemos a grata alegria de presenciar a pequena benzendo a própria avó, uma cena emocionante, da transmissão da sabedoria e da cura popular através da oralidade entre gerações.

"Mãe Lela, 60 anos, é mulher negra, costureira, mãe de santo e benzedeira lageana. Iniciou sua caminhada ainda na infância e construiu uma trajetória marcada pelo sincretismo religioso, pelo cuidado comunitário e pela dedicação ao seu ofício".* (Lambe dos Mestres)
Além dos atendimentos como benzedeira, conduz um terreiro de umbanda em Lages, sendo referência de acolhimento, espiritualidade e saber ancestral em sua comunidade.
Escutar as mestras:
Bombinhas/SC - Intercâmbio com Ponto de Cultura Engenho do Sertão

Graças à Expedição Sabença chegamos até o Ponto de Cultura Engenho do Sertão em Bombinhas/SC. Foram muitos anos acompanhando o trabalho realizado através da salvaguarda do patrimônio imaterial e material que a Rô e a turma do Engenho desenvolvem no litoral do Estado.
Como troca, propomos uma apresentação do espetáculo Vozes Vivas – Histórias do Monge São João Maria que é nosso trabalho de mais de 10 anos de pesquisa em oralidade e, logo depois, abrimos uma roda de conversa como ação de contrapartida do projeto. O que imaginávamos ser um bate-papo de poucos minutos transformou-se em um encontro de mais de duas horas e meia e as histórias simplesmente não paravam de brotar:
Escutamos relatos sobre o Monge São João Maria e fomos surpreendidos ao descobrir que a memória de sua passagem também habita o litoral catarinense. Ouvimos histórias de bruxas, de pescadores, de benzeduras, de acontecimentos extraordinários e de personagens que seguem vivos na lembrança da comunidade de Bombinhas.
Também tivemos a alegria de entrevistar a Mestra Rô do Engenho (Rosane Luchtenberg), que há mais de 27 anos dedica sua caminhada à construção de projetos comunitários, à preservação da memória local e à valorização dos saberes tradicionais. Sua trajetória está profundamente ligada à criação e consolidação do Engenho do Sertão, espaço cultural que se tornou referência na salvaguarda do patrimônio cultural e das memórias de Bombinhas.
Foi inspirador conhecer sua força, sua vitalidade, sua coerência e a maneira cuidadosa com que conduz esse espaço cultural e de memória que é referência em SC.
A Rô nos apresentou a Mestra Nadir e a nossa experiência de escuta com as histórias de Bruxa do litoral catarinense nunca mais será a mesma 😅. Dona Nadir é mulher de Engenho, uma poeta da oralidade, dos versos e uma brincante das tradições do boi de mamão.
Muito gratos por todo o acolhimento, as amizades e os aprendizados que nos compõem como artistas e especialmente como pessoas.
Ficha Técnica da etapa de Bomdinhas:
Pesquisa e registros em audiovisual: Josiane Geroldi e Cleverson Lara
Produção Executiva: Cleverson Lara
Produção Local Bombinhas: Rosane Luchtenberg, Bruno Francisco e Equipe do Museu
Acessibilidade em Libras: Sabrina Marilde da Cruz
Assessoria de Pesquisa: Adiles Savoldi
Edição de vídeos: Fabiane Badermaker
Designer: Daniel Zonta
Estandarte: Luiziana Pippi
Mestras entrevistadas: Ro do Engenho, Dona Nadir


Galeria de fotos:




Registros com as Mestras: Rô do Engenho e Dona Nadir
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Mestra Rô do Engenho
Rosane Luchtenberg, é pesquisadora, produtora cultural e uma das principais referências na preservação do patrimônio cultural de Bombinhas (SC). Chegou ao município em 1992 e, movida pelo encantamento com a cultura popular e os modos de vida das comunidades tradicionais, iniciou uma trajetória dedicada ao mapeamento, valorização e salvaguarda dos engenhos de farinha, das memórias locais e dos saberes comunitários. À frente do Instituto Boimamão e do Museu Comunitário Engenho do Sertão, tornou-se uma importante articuladora de ações de educação patrimonial, cultura popular e agroecologia, contribuindo há mais de duas décadas para que histórias, práticas e conhecimentos tradicionais permaneçam vivos e compartilhados entre as gerações.
Mestra Nadir
Nascida na praia de Bombinhas em 1952, Nadir Tomázia Pinheiro da Silva, carinhosamente conhecida como Mestra Nadir, é poetisa autodidata e reconhecida como Mestra da Literatura Popular. Guardiã das memórias, das histórias e dos modos de viver de sua comunidade, transformou a observação do cotidiano em poesia, registrando saberes, afetos e lembranças que atravessam gerações. Autora do livro Retalhos da Nossa Vida (2007), conduz as palavras com a sensibilidade de quem compreende a literatura como herança cultural e ferramenta de preservação da memória coletiva. Sua trajetória reafirma a força da oralidade e da escrita popular como patrimônios vivos da cultura catarinense.
Escutar as mestras:
Rodeio/SC - Intercâmbio com Ponto de Cultura Instituto Caracol

A etapa da Expedição Sabença em Rodeio aconteceu junto ao Instituto Caracol e à Biblioteca Rural Comunitária, localizados na área rural do município. Fomos acolhidos pelos amigos Jackson Chiappa, Cristiano Moreira, Patrícia e toda a equipe do Instituto Caracol, em um encontro marcado pela troca de experiências entre iniciativas que compartilham valores muito semelhantes. Assim como a Nossa Maloca, o Instituto Caracol é um Ponto de Cultura Rural que compreende a cultura como prática comunitária, espaço de convivência, formação e fortalecimento dos vínculos com o território.
Durante a programação, realizamos uma apresentação do espetáculo Vozes Vivas – Histórias de São João Maria na Biblioteca Rural Comunitária. A atividade contou com medidas de acessibilidade e reuniu moradores da comunidade, educadores, agentes culturais e participantes das ações desenvolvidas pelo Instituto Caracol. Após a apresentação, realizamos a roda de conversa Escutar para Contar, compartilhando reflexões sobre oralidade, memória, tradição e os caminhos da pesquisa desenvolvida pela Cia ContaCausos.
Nossa passagem por Rodeio coincidiu com uma etapa do projeto Rio de Histórias, desenvolvido pelo Pontão coordenado pelo Instituto Caracol. A oportunidade permitiu conhecer outras pessoas que integram essa importante rede cultural, além de participar de momentos formativos, entre eles uma oficina sobre gestão de projetos culturais.
O Amigo Jakson Chiappa fez a ponte para que nos encontrássemos com importantes guardiãs de memória e conhecimento de Rodeio. O lugar do encontro foi o Horto Irmã Eva Michalak no convento da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, embora já falecida, Irmã Eva permanece presente através do legado que deixou. Seu trabalho resultou na criação de um espaço de abundância, diversidade e cuidado com as plantas medicinais, alimentícias e ornamentais, hoje preservado pelas irmãs da congregação. Durante a visita, conhecemos a história de sua dedicação ao cultivo e à partilha dos conhecimentos sobre as plantas, além de conversar com as irmãs Ir. Marilde Zonta e Ir.Catarina De Faveri que seguem cuidando do horto e mantendo viva sua memória.
Outro encontro marcante aconteceu com a Dona Nena,
benzedeira que recebeu o ofício por transmissão familiar. O saber veio de sua mãe, que por sua vez o recebeu da avó, formando uma linhagem de mulheres dedicadas ao cuidado, à cura e à espiritualidade popular. Durante a conversa, Dona Nena compartilhou histórias de sua trajetória e dos ensinamentos recebidos ao longo da vida.
A passagem por Rodeio reafirmou uma das principais percepções da Expedição Sabença: os saberes vivem nas pessoas, mas também nos lugares que elas ajudam a construir. Em uma biblioteca comunitária, em uma casa de benzimentos ou em um jardim cultivado ao longo de décadas, encontramos diferentes formas de preservar e transmitir conhecimentos que fortalecem a identidade cultural dos territórios e alimentam a continuidade da vida comunitária.
Galeria de fotos:
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Registros com as Mestras: Dona Nena e Horto Irmã Eva

Dona Nena – Benzedeira
Eunildes Kisner - Conhecida carinhosamente como Dona Nena, é guardiã de um saber tradicional transmitido entre gerações de mulheres de sua família. Benzedeira desde a juventude, recebeu os ensinamentos de sua mãe, que por sua vez os herdou da avó, mantendo viva uma linhagem familiar dedicada ao cuidado, à cura e à espiritualidade popular. Em sua prática, rezas, gestos, ervas e fé se entrelaçam em um conhecimento construído pela experiência. Reconhecida em sua região pelo acolhimento e pelos atendimentos realizados ao longo da vida, Dona Nena representa a força dos saberes tradicionais transmitidos pela oralidade. Sua trajetória também evidencia os desafios da continuidade desses conhecimentos, uma vez que, até o momento, não há sucessores na família para dar seguimento ao ofício do benzimento.

Horto Irmã Eva Michalak
O Horto Irmã Eva Michalak é um espaço de preservação, cultivo e partilha de saberes relacionados às plantas medicinais, alimentícias e ornamentais, construído a partir da dedicação da religiosa franciscana Irmã Eva Michalak. Ao longo de sua trajetória, Irmã Eva reuniu conhecimentos sobre o cuidado com a terra, o uso tradicional das plantas e a relação entre saúde, espiritualidade e natureza, transformando o horto em um lugar de aprendizagem e acolhimento comunitário. Mesmo após seu falecimento, seu legado permanece vivo por meio das irmãs da congregação e das pessoas que seguem cuidando do espaço, mantendo florescentes os ensinamentos que ela semeou. O horto constitui hoje uma importante referência de memória, biodiversidade e educação ambiental, testemunhando a força dos saberes cultivados com paciência, generosidade e compromisso com a vida.
Escutar as mestras:
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Chapecó/SC - Instituto Cultural Nossa Maloca - Sede da Cia Contacausos
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